A roupa é um dos mais poderosos instrumentos de comunicação.
Ela reflete diretamente a personalidade de uma pessoa, de um grupo e até mesmo os costumes e valores de uma sociedade inteira.
Assim, muito daquilo que vestimos é o espelho do que somos, do que pensamos e do queremos transmitir, seja individual ou coletivamente.
Um bom exemplo disso é a burca, vestimenta usada pelas mulheres do Paquistão e do Afeganistão, que cobre todo o corpo, incluindo o rosto e os olhos.
Nesses países, o uso da Burca foi obrigatório durante o regime terrorista (derrubado no ano 2000) e representava a renúncia de todas as conquistas de direitos civis conseguidas nos últimos séculos.
De certa forma, a discrição levada ao extremo daquelas mulheres e suas burcas representaram a negação do próprio corpo e a posição inferior ocupada pelo sexo feminino naquela sociedade. Tudo isso representado pela roupa.
Na contramão desse comportamento, existem também grupos de mulheres que usam o corpo à mostra como expressão máxima é única daquilo que são ou pretendiam ser. É o que acontece, por exemplo, com a maioria das representantes do funk carioca.
Nesse meio, o que conta não é a expressão artística, a mensagem musical, tampouco a melodia. A ordem é mostrar o corpo, é provocar com o corpo semi-nu. E mais uma vez é a roupa (ou seria a escassez dela?) que se incumbe de passar tal mensagem.
Mas a grande contradição nisso tudo é que, tanto as mulheres do Oriente quanto as funkeiras do Brasil, cada qual com a respectiva vestimenta, passam a ser concebidas como a parcela mais marginalizada da sociedade. A primeira por conta do excesso; a segunda por conta da escassez.
Como se vê, na sociedade moderna roupa e pele se confundem.
Portanto, para não correr riscos, a palavra-chave é “bom senso”.
E novamente será a roupa a responsável por transmitir a ausência ou o poder dessa característica. Quer um exemplo? Terno e gravata italianos são praticamente sinônimos de homem elegante. No entanto, não há elegância que resista se esse traje for usado numa praia tropical.
Nenhum comentário:
Postar um comentário